Na rua é ainda mais divertido
Por: Cristiano Luiz Freitas
Não fique assustado se ao caminhar pelo calçadão da Rua XV ou ao cruzar a Praça Osório você se deparar com pessoas fantasiadas, gritando e até mesmo dançando. Ao invés de sair correndo, pare, observe e se divirta. O Festival de Curitiba, que prossegue até o dia 30 de março, de fato mexe com a rotina da capital.
Dona Coisa perde a cabeça com as estripulias armadas pela empregada Fulaninha
Quando me perguntam o que achei das peças e outras atrações que assisti, sempre faço questão de reforçar o empenho das companhias que se apresentam nos espaços públicos da cidade. Sem exageros, juro que alguns dos melhores espetáculos do FC estão bem debaixo do nosso nariz.
Ontem, na Praça Santos Andrade, bem próximo ao prédio histórico da UFPR, a equipe da Gazetinha acompanhou a excelente adaptação para as ruas de Fulaninha e Dona Coisa, texto de Noemi Marinho, que na década de 90 foi encenada – por todo país – com duas das nossas maiores atrizes nos papéis títulos: Louise Cardoso e Aracy Balabanian.
Fulaninha (de costas) e o técnico da Telesc: hilário.
A Traço Cia. de Teatro, de Florianópolis, soube fazer uma versão enxuta do texto, mas sem perder o tom bem-humorado ao colocar em cena um verdadeiro “jogo de sobrevivência” entre patroa e empregada. O bom acompanhamento musical – com direito a elementos sonoros criados na hora – evidenciam a criatividade do grupo e o cuidado para criar o clima propício para um espetáculo ao ar livre.
Entre as mais hilárias situações, as atrizes fazem com que o público presente interaja com a ação. O mais bacana de tudo isso – sem dúvida alguma – é ver o sorriso dos moradores de rua, que chegam a se comover e a participar com muita vontade da encenação. Nota: 9,5.
l Fulaninha e Dona Coisa encerrou temporada no festival no sabadão. A companhia, no entanto, ainda apresenta no Fringe a tragicomédia As Três Irmãs – hoje, às 15 horas; amanhã, às 21 horas; e dia 25, às 15 horas, no Teatro Cleon Jacques (Rua Mateus Leme, 4.777 – Parque São Lourenço). Ingressos: R$ 20 e R$ 10.
**********Mais Opiniões**********
Vale a pena
A peça é muito boa. Os atores são muito animados e interagem bastante com o público. A trilha sonora, que é ao vivo, fez totalmente a diferença no espetáculo. Merece ser prestigiado. Nota 9.
Laís Graf Ribas, 16 anos, é integrante do Projeto Master.
Festival de risadas
Peça muito divertida, que relata a rotina atrapalhada de uma jovem garota que vai para a cidade grande trabalhar como empregada doméstica e acaba criando um laço com a sua chefe. Em meio a tantas risadas, o público também tem participação constante em cena: tornando-a, assim, uma típica peça de rua. Nota: 8.
Tarcísio Bély, 15 anos, repórter-mirim da Gazetinha.
Engraçadíssima
Fulaninha e Dona Coisa trata de um tema nada convencional: a relação de amor e ódio entre a patroa e a empregada doméstica, vinda do interior. Entre brigas e situações engraçadas as duas acabam criando laços que superam até a paixão de Fulaninha pelo técnico da Telesc.As crianças adoraram a peça,interagiam com as personagens e davam gargalhadas com as caipirices da empregada. Com certeza a garotada nem ligou para o sol que fazia na Santos Andrade quase na hora do almoço. Nota: 8,5.
Guilherme Zuchetti, 16 anos, é integrante do Projeto Master.
Simples e de coração
Interação com o público e animação das atrizes foi o que não faltou nesse espetáculo de rua. Apesar do sol, dos narizes grandes que usavam e dos figurinos quentes, porém muito bem bolados, as intérpretes conseguiram arrancar pelo menos um sorriso de cada pessoa da platéia. Mesmo com interferências não previstas no roteiro, o espetáculo não deixou de seguir divertido, o que revelou a experiência do elenco com os diferentes tipos de público. Os músicos que fizeram a trilha sonora, que foi simples, mas bem feita, também não deixaram a desejar. Vale a pena assistir a Fulaninha e Dona Coisa. Nota: 8,5.
Ana Paula de Moura Jorge e Silva, 14 anos, repórter-mirim da Gazetinha.
Funcionou
O sol forte não foi suficiente para tirar a atenção do público que assistia ao espetáculo. O humor natural da peça e das atrizes conseguiu manter diferentes pessoas, de várias idades e classes sociais, ligadas o tempo todo - isso foi o mais interessante. O roteiro era fraco, mas a performance e a produção (simples, mas eficaz) fizeram funcionar o enredo. Nota: 7,5.
Eder Puchalski, 16 anos, é integrante do Projeto Master.